quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SYNRISAMENTE...
(Texto escrito a 28 de Fevereiro de 2015)

A princípio era o regresso da política à União europeia, finalmente!
Depois foi a descoberta do resgate da dignidade de um povo pela mão de gente preparada e corajosa que nos havia de libertar da opressão e das maldades da Alemanha!
Logo a seguir era o ressuscitar de uma nova era de luta política contra a austeridade e da afirmação de uma alternativa, não só possivel, como necessária, para livrar a Europa dos desmandos e repetidos erros da Sra Merkel.
A tese chegou rapidamente a Portugal e António Costa, de uma só assentada, fez do Syrisa o parceiro político natural do PS, enterrando em campa rasa, e sem direito a lápide, o velho irmão PASOK...
Por toda a parte choveram profissões de fé no Syrisa e nas qualidades virtuosas dos seus líderes e protagonistas. Além de Tsipras, o nobel ministro das finanças Grego desafiava a enquistada Europa e os cavaleiros do demoníaco sistema capitalista, com as suas arrojadas teorias progressistas de "marxista errático". 

Para consumo interno Tsipras anunciava, mais uma vez, o fim da austeridade e da humilhação da Troika, enquanto Varoufakis desfilava o seu charme nas capitais europeias, sem gravata, claro está!
Eis senão quando a realidade desceu à terra, qual ressaca silenciosa, e de um momento para o outro percebe-se a fragilidade e impreparação das gentes do Syrisa, batendo em retirada sem honra nem glória para o Grego Olimpo. Pela Europa fora, orfãos da derrota da encenação Syrisica, desapareceram os discursos e seus autores.
Em Portugal, os irmãos e primos naturais do Syrisa, o BE e o PCP, aconchegados pelos parentes adoptados da direção do Grupo parlamentar do PS, por sua vez abençoados pela agilidade táctica de António Costa, desceram rapidamente e sem demora a rampa do silêncio até ao blackout total.
Afinal qual a diferença de resultados na arena negocial entre o Syrisa e as forças políticas gregas anteriores? A menos das gravatas confesso que, synrisamente, ainda não percebi...
PS: noto, com grande preocupação, que a esquerda radical festejou com fogo de artifício o novo governo grego, sem questionar a aliança anti-natura com a extrema-direita! Julgava esta auto-proclamada esquerda dos valores menos táctica e mais seguidora de princípios e convicções. Parece que me enganei...

António Ribeiro
(Texto escrito a 28 de Fevereiro de 2015)

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