(escrito a 22 de Novembro de 2014)
Já não era sem tempo!
Há anos que a sociedade portuguesa reclama um pacto de regime em questões essenciais, nomeadamente, na educação, na saúde e na justiça, retirando do contraditório político matérias essenciais para o nosso desenvolvimento colectivo!
Há anos que a sociedade portuguesa reclama um pacto de regime em questões essenciais, nomeadamente, na educação, na saúde e na justiça, retirando do contraditório político matérias essenciais para o nosso desenvolvimento colectivo!
Apesar dos múltiplos esforços neste sentido não foi possível encontrar, até ontem, um denominador comum aos ditos partidos do arco da governação!
Inclusivamente, há pouco mais de um ano atrás, o próprio Presidente da República procurou encostar o PSD, CDS e o PS às cordas, condenando-os a um entendimento que deveria estruturar um programa de governo com uma duração suficientemente longa que permitisse a sua implementação sem recuos de capricho e interesse aquando das mudanças de Governo.
A verdade é que após 40 anos de democracia nunca tal consenso foi atingido!
Todavia, e porque nada é definitivo na vida, ontem foi possível atingir, finalmente, o primeiro desses pactos de regime!
Todavia, e porque nada é definitivo na vida, ontem foi possível atingir, finalmente, o primeiro desses pactos de regime!
Sem prejuízo das suas "profundas" diferenças ideológicas e do "enorme" foço que separa os seus programas governativos, PSD e PS conseguiram entender-se ontem, com enorme sacrifício, numa matéria que exigiu profundo estudo e negociação entre as partes, ou seja, o restabelecimento das subvenções vitalícias para os detentores de cargos políticas após 12 anos de exercício...
Com efeito, não deve ter sido fácil este entendimento. Imagine-se a dificuldade que deve ter sido o nobel candidato a Secretário Geral do PS, do alto do seu imaculado pedestal, miraculosamente protegido pelos media da praça, vergar-se a um entendimento com o maléfico 1º Ministro que mais não faz mais do que espalhar o seu cinismo e maldade ao pobre povo!
Mas tudo se entende quando se trata de matéria do maior interesse nacional e colectivo, ficando-lhes o País eternamente agradecido pela sua capacidade de compromisso e generosidade!
Com efeito, PSD, CDS e PS culpam-se mutuamente no circo diário dos media da falta de diálogo da outra parte. Mas haja Deus que sempre há uma matéria merecedora de tão grande esforço e sacrifício de entendimento, ou seja, a reposição das já referidas subvenções vitalícias aos políticos!
Finalmente foi possível estabelecer um pacto de regime que proteja o bolso dos detentores do poder, mesmos quando o miserável povo come todos os dias o pão que o diabo amassou! Mas que importância tem isto quando o que está em causa é a proteção das elites governativas em prol do interesse da nação?
Mas felizmente que o pacto de regime não foi apenas o atrás referido!
Isto não há fome que não dê em fartura: depois do pacto de ontem eis que hoje somos surpreendidos por um outro que nega tudo o que acordaram ontem, classificando a iniciativa do dia pretérito, não como algo absolutamente imoral e ofensivo do povo que governam, mas antes como algo inoportuno face às dificuldades do momento.
Isto é, depois de mais uma miserável negociata que os partidos do centrão dos interesses fizeram ontem, e perante o clamor do pobre povo, dão o dito por não dito, não por terem percebido que aquilo que fizeram é absolutamente miserável e indigno de qualificação, mas porque, o povo está muito atento e não é oportuno consumar mais um negócio da nomenclatura que há demasiado tempo (des)governa o País!
E desta forma, a bem da Nação, se consuma o 2º pacto de regime em tão pouco tempo, ou seja, negar tudo o que defendemos ontem, clamar no Parlamento, e para otário ver, contra o disparate da proposta (sabe-se lá vinda de onde) do dia anterior, e esperar com sageza e recato pelo melhor momento de distração do povo para voltar à carga com as ditas subvenções vitalícias.
Hoje, depois de mais um duro dia de trabalho chego a casa e leio com estupefação, nas mensagens escritas que agora cobrem o fundo do écran, que PSD e PS aplaudem a retirada da proposta de reposição das subvenções vitalícias!
Hoje, depois de mais um duro dia de trabalho chego a casa e leio com estupefação, nas mensagens escritas que agora cobrem o fundo do écran, que PSD e PS aplaudem a retirada da proposta de reposição das subvenções vitalícias!
Fiquei muito mais descansado e, seguramente, irei dormir com outro ânimo, não sem antes agradecer a Deus a generosidade e o desinteressado contributo que PS e PSD hoje deram à Nação e aos portugueses!
Sou eu que estou a ficar louco ou isto fede a fim de regime?
António Ribeiro
Sem comentários:
Enviar um comentário